Motorista de ônibus é encontrada morta e ex-companheiro confessa feminicídio em São José
A motorista de ônibus Thalita Arantes de Lima, de 41 anos, foi encontrada sem vida em São José dos Campos na noite de segunda-feira (5). Em um áudio enviado dias antes do homicídio, ela havia comentado com uma amiga sobre o relacionamento conturbado que mantinha com Wesley Sousa Ribeiro, de 31 anos, que foi preso nesta terça-feira (6). Na quarta-feira, ele confessou o crime, segundo a polícia.
“Teve um dia em que estava dormindo. Cheguei do trabalho. Ele tinha passado a noite toda fora, estava bêbado e drogado. Eu cheguei do serviço, tomei um banho, deitei… Acho que passaram uns 40 minutos, ele me acordou com a faca na mão e disse pra mim: ‘toma, chama a polícia, fala que eu tentei te matar. Antes que eu faça uma m….’. Aí foi onde eu falei pra ele: ‘vai embora'”, contou a vítima em áudio.
Desaparecimento e mensagens trocadas
Thalita estava desaparecida desde sábado (3). Durante as buscas, Wesley dizia não saber onde ela estava. Em uma mensagem enviada ao filho da vítima, ele afirmava que tentava contato com Thalita.
“Assim que cheguei em casa, percebi que as coisas estavam mexidas, como eu te disse, ela pegou o uniforme… Já liguei ‘um par de vezes’, não aguento mais ligar. O pior é que a mensagem chega, dá sinal…”, disse ele em áudio.
O corpo da vítima foi encontrado enrolado em um cobertor dentro da residência onde morava, no bairro Majestic, na Zona Leste de São José dos Campos. Inicialmente, o caso foi registrado como morte suspeita.
Investigação e revelações
Após análises realizadas pelos legistas, a Delegacia de Homicídios passou a tratar o caso como feminicídio, em decorrência das lesões provocadas por arma branca identificadas no corpo da vítima.
Wesley Sousa Ribeiro é réu confesso de feminicídio.
De acordo com a Polícia Civil, Wesley confessou na quarta-feira ter assassinado Thalita. O corpo dela foi encontrado enrolado em um cobertor dentro da sua residência, no bairro Majestic, na zona leste de São José dos Campos, na noite de segunda-feira (4).
Segundo o delegado Neimar Camargo Mendes, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São José dos Campos, a motorista foi morta com 13 facadas e apresentava sinais de defesa.
Prisão e histórico de violência
O suspeito foi preso na noite de terça-feira (5), em Aparecida, após a polícia identificar que havia um mandado de prisão preventiva contra ele por descumprimento de medidas protetivas. Inicialmente, ele negou os fatos, mas confessou o feminicídio durante o interrogatório.
Thalita já havia denunciado o companheiro por agressões no ano anterior. De acordo com um boletim de ocorrência registrado em maio de 2025, ela relatou que Wesley era ciumento, invadiu a casa dela, a agrediu e a trancou em uma churrasqueira após uma briga. A motorista possuía medida protetiva contra ele.
Em nota, a empresa de ônibus onde Thalita trabalhava expressou pesar pela morte da profissional e afirmou que ela era uma funcionária dedicada e muito querida entre os colegas.
O caso está sob investigação como feminicídio pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São José dos Campos. O g1 busca contato com a defesa de Wesley Sousa Ribeiro.
Thalita Arantes Lima, de 41 anos, foi encontrada morta enrolada em um cobertor.