Justiça define data do júri do empresário acusado de matar motorista de app em SP
Fernando Sastre de Andrade Filho (foto) é o condutor do Porsche relacionado ao acidente que resultou na morte de um motorista por aplicativo.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) agendou para o dia 29 de outubro de 2026 o júri popular do empresario Fernando Sastre de Andrade Filho, acusado de assassinar o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana ao dirigir um Porsche e colidir com o veículo da vítima, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo.
Sastre dirigia um Porsche azul, que provocou um acidente que ceifou a vida do motorista de aplicativo e feriu outra pessoa em 31 de março de 2024. Ele está detido e, até fevereiro, já teve oito solicitações de liberdade rejeitadas pela Justiça.
A defesa de Fernando Sastre Filho solicitava a revogação da prisão preventiva do empresário, sugerindo que ele fosse solto com a imposição de medidas cautelares.
Entretanto, a Justiça paulista negou, afirmando que há “indícios suficientes” de que o réu estava sob efeito de álcool quando perdeu o controle do carro esportivo e colidiu na traseira do Renault Sandero do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, que faleceu.
Marcus Vinicius Machado Rocha, estudante de medicina e amigo do empresário, que ocupava o assento do passageiro do Porsche, sobreviveu ao acidente, mas ficou gravemente ferido. Imagens de monitoramento registraram a colisão (assista ao vídeo acima).
Vídeo mostra momento da colisão do Porsche com carro de motorista de aplicativo
Ainda conforme a juíza Fernanda Perez Jacomini, existem fundamentos que justificaram a prisão preventiva de Fernando em 6 de maio de 2024.
“Dos elementos coligidos até o momento – especialmente os relatos de testemunhas, juntamente com outras provas constantes dos autos – extraem-se indícios robustos de que o réu, ao conduzir veículo automotor, possivelmente sob a influência de álcool, colidiu com o veículo da vítima, causando-lhe a morte”, escreveu a magistrada em sua decisão.
“A gravidade concreta da conduta, somada às circunstâncias em que o fato ocorreu, demonstra risco concreto de reiteração delitiva, além de evidenciar a periculosidade do agente”, informou a juíza.
O que diz a defesa
O empresário Fernando Sastre, que vitimou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana
Jonas Marzagão, advogado de Fernando, afirma que seu cliente é o único motorista envolvido em um acidente fatal que continua preso em São Paulo.
“Fernando não solicitou ajuda porque outros haviam ligado e pedido, enquanto ele era retirado do carro. Contudo, ele permaneceu no local do acidente até ser liberado pelas autoridades”, completou o advogado.
Porsche amarelo
Fantástico entrevista testemunha que presenciou Porsche seguindo motociclista em São Paulo
Além do incidente com o Porsche azul, ocorreu outro caso marcante envolvendo fatalidade no trânsito em julho de 2024 na Zona Sul de São Paulo. Na época, o empresário Igor Ferreira Sauceda foi preso preventivamente por utilizar seu Porsche amarelo para perseguir, atropelar e matar o motociclista Pedro Kaique Ventura Figueiredo.
Laudos indicaram que Igor havia consumido álcool e dirigido em alta velocidade. A polícia o responsabilizou por homicídio doloso. Porém, a defesa dele recorreu e a Justiça o liberou em maio de 2025. Um dos argumentos para sua libertação foi a ausência de ameaça a testemunhas.
Homicídio qualificado
Traseira do Renault Sandero branco ficou devastada após ser atingida pelo Porsche azul
Atualmente, Fernando Sastre é réu num processo no qual é acusado de homicídio qualificado por “perigo comum” (ter colocado a vida de terceiros em risco) na modalidade de “dolo eventual” (por ter aceitado o risco de matar o motorista Ornaldo) e “lesão corporal gravíssima” (por ter ferido seu amigo Marcus).
Em dezembro de 2025, a defesa do empresário recorreu ao STJ solicitando a alteração do crime de homicídio por dolo eventual para homicídio culposo (sem intenção de matar).
O STJ negou a solicitação liminar do habeas corpus. O mérito do pedido ainda não foi analisado pelos demais ministros.
Os advogados também pediram a remoção da qualificadora do “perigo comum”. No entendimento da defesa, Fernando não expôs outras pessoas a risco durante o acidente que vitimou Ornaldo e feriu Marcus.
Somente após a apreciação do mérito pelo STJ é que o mesmo pedido será examinado pelo STF. No final do ano passado, Fernando deixou a prisão em Tremembé e transferiu-se para uma penitenciária em Potim.
Caso do Porsche azul ainda não teve julgamento do motorista réu por homicídio e lesão
Risco de matar, embriaguez e alta velocidade
Vídeo: Veja como PMs liberaram motorista do Porsche sem teste do bafômetro
O Ministério Público (MP) acusa Fernando de ter aceitado o risco de matar Ornaldo e de ferir gravemente Marcus por estar embriagado e dirigir em alta velocidade.
A Promotoria alega que o empresário consumiu álcool e causou um acidente de trânsito a mais de 100 km/h na via. O limite nesse trecho é de 50 km/h, mas um laudo do Instituto de Criminalística (IC) indicou que o Porsche colidiu com o Sandero de Ornaldo a 136 km/h.
Quando foi interrogado pela Justiça, por videoconferência em agosto de 2024, Fernando reafirmou que não havia consumido álcool.
Ainda assim, Marcus declarou em seus depoimentos à polícia e à Justiça, entre abril e junho de 2024, que o amigo Fernando havia ingerido álcool antes de dirigir (veja vídeo abaixo).
Vídeos mostram depoimentos de testemunhas do caso Porsche
As filmagens que registraram o acidente mostram o instante em que o Porsche acelerou e colidiu com a traseira do carro de Ornaldo, na Avenida Salim Farah Maluf, Zona Leste da capital.
Outras gravações, feitas por testemunhas da colisão e pelas câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência, também capturaram o que aconteceu antes, durante e após o acidente fatal.
O Porsche 911 Carrera GTS que o empresário dirigia estava avaliado em mais de R$ 1 milhão.
Pessoas que testemunharam a batida relataram aos agentes da Polícia Militar (PM) que o empresário dirigia em alta velocidade e aparentava estar embriagado quando colidiu o Porsche no Sandero.
No entanto, a PM não realizou o teste do bafômetro em Fernando.
O empresário deixou o local a pé com a ajuda de sua mãe e um tio que chegaram depois, com a falsa promessa de que o levariam a um hospital devido a um sangramento.
Nas filmagens das câmeras corporais dos PMs, é possível ver a mulher dizer: “Vamos, Fernando!”, para que eles partissem.