Conheça a história da urna eletrônica, que completa 30 anos em 2026
A urna eletrônica, principal símbolo das eleições brasileiras nas últimas décadas, completa 30 anos nesta quarta-feira (13). Foi em 1996 que o equipamento começou a ser utilizado oficialmente no país, transformando a maneira de votar e apurar eleições no Brasil.
Os engenheiros e pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da urna ficaram conhecidos como “ninjas” – leia mais abaixo.
Os ‘ninjas’ da tecnologia
O grupo de ‘ninjas’ reunia profissionais do Inpe, do Instituto de Estudos Avançados (IEAv) e da Aeronáutica, além de integrantes da Justiça Eleitoral. Entre eles estavam Paulo Nakaya, Mauro Hashioka, Antônio Ésio Salgado, o “Toné”, Oswaldo Catsumi e Giuseppe Janino, coordenados por Paulo Camarão.
O desafio era criar um equipamento seguro, resistente e capaz de funcionar em qualquer região do país.
“A gente tinha que propor um equipamento robusto, seguro e inviolável”, afirmou Toné.
Como surgiu a urna eletrônica
A ideia de informatizar o voto começou a ganhar força no fim dos anos 1980, mas ganhou forma em 1995, durante a gestão do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Velloso.
Segundo ele, a proposta surgiu em uma conversa informal com o técnico em informática Paulo Camarão, durante uma partida de tênis em Brasília.
“Tudo começou com uma simples conversa”, relembrou Velloso em entrevista ao g1.
O que mudou nas eleições
Antes da urna eletrônica, a votação era feita em papel e a contagem dos votos podia levar dias. Especialistas apontam que o antigo sistema era mais vulnerável a erros e fraudes durante a apuração manual.
Com a informatização do voto, o resultado passou a sair em poucas horas e houve redução significativa de problemas ligados à contagem manual.
O cientista político José Maurício Cardoso do Rego avalia que a urna ajudou a fortalecer a confiança no processo eleitoral.
“Com a implantação das urnas eletrônicas, há uma inibição clara desse processo de fraude”, afirmou.
Segurança e ataques
Ao longo dos 30 anos, a segurança da urna eletrônica passou por atualizações. Atualmente, os equipamentos utilizam assinaturas digitais, criptografia e sistemas de verificação desenvolvidos pela Justiça Eleitoral.
Além disso, o TSE realiza periodicamente o Teste Público de Segurança, onde especialistas tentam encontrar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais.
Segundo os criadores da urna, a preocupação com possíveis fraudes esteve presente desde o início do projeto.
“Não dá para fraudar uma urna eletrônica sem descaracterizar completamente o sistema”, afirmou Toné.
De 2 MB aos modelos atuais
O primeiro modelo da urna, a UE96, tinha apenas 2 megabytes de memória e utilizava disquetes.
Em 1996, cerca de 30% do eleitorado votou eletronicamente. Hoje, o sistema é usado em todas as cidades do país e serve de referência internacional.
Ao menos 33 países já utilizaram algum modelo de votação eletrônica, segundo dados citados pelos pesquisadores envolvidos no projeto.
Orgulho para os criadores
Três décadas depois, os responsáveis pela criação da urna eletrônica dizem enxergar o projeto como uma contribuição histórica para a democracia brasileira.
“É um sentimento de que realmente fiz alguma coisa útil”, resumiu Toné.
Antonio Esio Salgado, o Toné um dos criadores da urna eletrônica
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