Antes da posse, novo arcebispo de Aparecida discute papel social da Igreja e acolhimento a migrantes

Horas antes da cerimônia de posse, agendada para a tarde deste sábado (2), no Santuário Nacional, o novo arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva, deu uma entrevista coletiva à imprensa na parte da manhã. Em cerca de 1 hora de diálogo, o religioso destacou que a Igreja deve atuar também nas questões sociais, sem desviar da missão principal de evangelizar.

Ao ser indagado sobre o papel do Santuário frente a temas atuais — como política e questões sociais —, Dom Mário assegurou que a atuação da Igreja vai além da espiritualidade. “Quando evangelizamos, também temos a dimensão social do evangelho. A preocupação com o sofrimento, com o desenvolvimento, com o senso de justiça e de equidade envolve política, educação, saúde, economia e comunicação”, disse.

Sem mencionar partidos ou posições específicas, ele reiterou que a Igreja deve ajudar na formação da consciência da população, especialmente em anos eleitorais. “As eleições não são só o dia de ir às urnas. A política deve ser acompanhada durante todo o tempo. Nossa pauta é a política do bem comum”, destacou.

De acordo com ele, cabe à Igreja auxiliar os fiéis a conhecer propostas e decidir de forma livre. “Não cabe a nós indicar candidatos, mas formar a consciência para que o voto seja de convicção pessoal.”

Outro aspecto mencionado foi a questão dos migrantes, tema com o qual o arcebispo teve contato direto durante sua atuação em Roraima. Ele ressaltou que o fenômeno migratório faz parte da realidade atual do país e deve ser tratado com sensibilidade. “O migrante vem como irmão, com esperança. Às vezes com muito pouco, mas com dignidade. Precisamos acolher, proteger, promover e integrar,” afirmou, citando ensinamentos do papa Francisco.

Dom Mário também ressaltou a relevância de a Igreja manter atenção constante às pessoas em situação de vulnerabilidade. “Não dá para levar a sério uma Igreja que não é sensível ao sofrimento das pessoas,” afirmou. Para ele, o trabalho social deve acompanhar a fé, especialmente em um lugar como Aparecida, que recebe milhões de romeiros anualmente.

Ao comentar sobre a relação com a religiosidade popular, o arcebispo salientou o papel de Nossa Senhora Aparecida na vivência da fé dos brasileiros. “A espiritualidade nasce da simplicidade do povo. Quando é alimentada pela Palavra de Deus, produz muitos frutos,” disse.

O novo arcebispo também analisou a importância de envolver os jovens na Igreja. Para ele, é fundamental investir em linguagem e ações que dialoguem com essa geração. “Os jovens são a esperança no hoje e no amanhã. Precisamos não só falar a linguagem deles, mas criar iniciativas que contemplem a realidade que vivem,” declarou.

Dom Mário Antônio da Silva foi nomeado pelo papa em março deste ano e assume oficialmente a Arquidiocese de Aparecida na tarde deste sábado, sucedendo Dom Orlando Brandes, que se aposentará após completar 80 anos.

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